1h33 - Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 | Mês da compreensão munidal

Camila quase voltando ao Brasil.

18/Jul/07 - 211 v.

O meu tempo na Alemanha, melhor que em qualquer outro lugar, pode ser dividido pelas estações. A natureza aqui é tão surpreendente quanto a minha vida está sendo; sempre com algo novo naquele mesmo lugar onde eu sempre olhei. E com as estações, também pode ser dividido o meu ano aqui. Cheguei em agosto, naquele final de verão chuvoso. Foi o tempo da adaptação, de perceber que se está tão longe de tudo e de todos que conhecia, de ter o primeiro contato com as pessoas, de conhecer a família, as regras, de pisar sem segurança. Também foi o tempo em que tudo era novidade, incluindo essa “misteriosa língua”, uma mistura de falar e tossir (como costumavam dizer meus amigos no Brasil), que é o alemão. Logo depois, tão rápido quanto o vento que soprou o verão embora, chegou o outono. As àrvores passaram a ficar coloridas, de amarelo à vermelho vivo, passando por marrom, às vezes meio roxo e, è claro, os permanentes verdes pinheiros. O “Deutsch” deixou de ser algo tão misterioso, o curso de alemão acabou e comecei a ir sempre para o colégio; fazer os primeiros amigos alemães, as festinhas, comecei a me sentir em casa e já me sentia livre pra fazer umas brincadeiras com a minha família daqui, que até agora tem sido incrívelmente boa pra mim. Também fiz o "deutschlandtour", onde pude ter uma idéia melhor do que é o país em que estou, nas suas qualidades, problemas, e diferencas; sem esquecer a marcante história que a cerca. A minha vida estava tão colorida quanto as árvores! Tudo era bom de mais. Entao chegou o inverno, o frio; e não só lá fora, mas também no humor das pessoas, e por momentos eu me sentia tão sem graça e sem ânimo, como os dias que clareavam às 9:30am e voltavam a escurecer às 4:30pm. Acordar no escuro, no frio, se encher de casaco, ter que andar 10 minutos pra pegar um ônibus e assistir à 2 aulas no escuro, para só então o sol resolver timidamente aparecer, e em troca disso não ter nem uma nevezinha; isso não é pra mim. Mas quando as esperanças de ver neve em meio à um inverno que; por incrível que pareça era considerado como: “quente de mais”, sumiam, veio a supresa já tão inesperada; tudo se tornou branco e… no fundo o inverno pode ser não tão ruim assim! Alguns poucos dias de neve, rios se transformando em lindas esculturas de gelo, poças de água virando pistas de patinação ou, mais provável, de escorregões, meu boneco de neve dando tchauzinho sempre que eu olhava pra fora pela janela da cozinha e, como nada pode ser perfeito, no meio à esse dias com temperaturas que de noite chegavam a –8°C, também tivemos a longa história do aquecedor quebrado!! Brrr. Mas isso é melhor esquecer. Bom, continuando. À tempo chegou a primavera, semanas e semanas com sol, sendo que antes não passava um dia sem chover; os primeiros botões de flores, o perfume no ar, as àrvores de novo verdinhas e saudáveis e, com tudo isso, também se via voltar o sorriso na cara do povo. Pra mim é a estação de conhecer mais um pouco, fazer o Europatour, viajar ainda mais, de aproveitar, curtir ao máximo tudo o que puder e tentar fazer o tempo correr mais devagar, à caminho da estação da despedida, que vai ser o verão, e que quando ver tá aí, chegando tão rápido como tudo que se anseia, passando tão rápido como tudo que se gosta, mas “durando o necessário para ser inesquecível”! Camila Mayara Gessner - Intercambista do Rotary Club de Timbó morando em Hattingen (Alemanha). Retorna ao Brasil no próximo mês de agosto.
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